RESUMO: Reunião e revisão crítica de todos os textos e desenhos sobre indumentária elaborados ao longo de três décadas, entre 1940 e 1960, por Sophia Jobim, professora da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

TRABALHOS DESENVOLVIDOS

Antes do trabalho propriamente dito, eu já havia feito, em viagens sistemáticas ao Rio de Janeiro, a digitalização das páginas dos 125 cadernos manuscritos de Sophia  Jobim que tratavam do assunto moda e indumentária. Estas fotografias foram organizadas em um Banco de dados, por assunto e por caderno.  São mais de  10.000 imagens.

Passada esta etapa, parti para a digitação de todos os textos, que somaram em primeira edição, cerca de 900 páginas.

Os cadernos continham ilustrações feitas à mão pela professora Sophia Jobim.   Assim, para que este material não se perdesse, pois eram curiosas indicações sobre assuntos abordados no texto, a partir das digitalizações originais fizemos  uma intervenção em Photoshop em cada uma das imagens. A partir destas imagens “novas”- que foram feitas à caneta, em registro rápido da autora –  fizemos nova intervenção, desta vez elaborando, uma a uma, cópias artesanais   dos desenhos que haviam perdido linhas e detalhes por conta da distribuição da tinta em papel muito ácido, que lentamente correu o desenho e também amarelou. São cerca de 430 imagens novas, feitas à nanquim e já digitalizadas,  prontas para serem inseridas no texto final.

caderno mao sophiaA imagem mostra rápida ilustração de Sophia Jobim durante as anotações.

sophia 2

A imagem acima já é reconstrução  nossa- minha e do Dalmir Rogério, claro- baseada nas páginas dos cadernos. Trabalho combinando recursos de informática e softwares com a artesania manual.

182 pranchas com desenhos da autora foram cedidas pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, graças à intervenção da responsável pelo Arquivo do Museu Histórico Nacional, Rosangela Bandeira, que hoje esta aposentada, rica e vive pelas praias brasileiras. São todas as pranchas existentes no Museu sobre Sophia Jobim.

Estas etapas já estavam concluídas quando o projeto começou. A direção do Museu Histórico Nacional já havia enviado ofício concordando que a pesquisa fosse feita e os familiares não só autorizaram como apoiaram a iniciativa, com declaração por escrito de liberação de direitos autorais.

A partir da metodologia estabelecida, fiz o seguinte trabalho:

a)      Juntei as ilustrações aos textos originais. O trabalho não é tão simples, pois, como  veremos, existem ao menos 09 textos diferentes sobre a Grécia, por exemplo.

b)      Revisei os textos digitados com os originais. Esse trabalho foi exaustivo, principalmente quando novos textos e ilustrações começaram a surgir.

c)      Identifiquei os desenhos que não continham identificação sobre seu assunto. Estão todos corretamente anotados- avisei inclusive o Museu sobre erros deles na classificação, mostrando como a Sophia Jobim havia anotado o que era cada trabalho.

d)      Fotografei todo o material novo que surgiu.

e)      Fotografei e visitei o local do antigo ateliê dela, o local em que ela morou, a Igreja onde rezava e diversos outros, apenas por curiosidade. (parte desse material esta no sítio eletrônico).

f)       Fotografei todos os artigos e desenhos de moda publicados por ela em jornal ainda na década de 30.  (parte desse material esta no sítio eletrônico).

No projeto inicial, eu propunha o seguinte:

Montar os textos que estão divididos em diversas partes em apenas uma. Por exemplo: Sophia costumava escrever minimamente três versões do texto: uma a lápis, outra à caneta azul e outra ainda com anotações em vermelho e     azul.Portanto, em alguns casos, há algumas variantes do mesmo texto que     podem   ser editadas e transformadas em um só- do ponto de vista editorial, é fundamental que estes ajustes ocorram.  Uma edição fac-similar é  economicamente inviável, considerando-se o público alvo (estudantes de moda e de indumentária)

Dividir o texto em segmentos, como por exemplo: Parte 01- Antiguidade Clássica e Parte 02- Idade Média. Esta organização em linha do tempo facilita e muito para os  estudantes e pesquisadores, muito embora os cadernos não estejamorganizados desta maneira.

Isso foi impossível– porque, na verdade, ela escrevia mesmo as versões como o texto propunha. Só que o que ela fez foi a tradução direta ou indireta de cerca de 14 livros de indumentária completos, que eu só consegui juntar depois de muito suor e perseverança. Por quê? Porque as partes do texto podiam sim estar em um mesmo caderno- só que a maior parte estava distribuída em vários cadernos.

Isso mesmo. Um livro poderia ter os capítulos 1 à 5 no caderno 07. Os capítulos 8 e 9 estariam no caderno 12 e o final, com a conclusão, no caderno 110.

Isso distribuído entre onze mil imagens é enlouquecedor, ainda que esse termo não seja tão científico.

Como fiz para terminar isso?

Voltei aos cadernos originais e fui relacionando entre eles as imagens obtidas- ou seja, o que estava escrito à lápis, ou em determinada posição de letra, ou se era à lápis  com anotações em vermelho… Depois, vi a numeração das páginas, do jeito que ela anotava em cada um. Havia capítulos numerados sempre a partir do 01, mas com um índice. Pelos temas e pelas anotações, pude ir percebendo o que pertencia a o que.

Isso feito, tentei achar as diferentes versões à lápis, caneta azul,  azul e vermelha do mesmo texto. Ela não teve, naturalmente, tempo de fazer todos.

Assim, fui fechando pouco a pouco cada caderno, em trabalho que levou meses e maturidade- tive que conhecer muito bem esse material. Uma primeira versão foi apresentada no Rio de Janeiro, em 2011, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob a supervisão da estimada Profa. Dra. Maria Cristina Volpi Nacif. Por coincidência, foi a escola onde Sophia deu aulas. Era uma versão que ainda não estava “impregnada” pelos novos materiais que seriam descobertos.

A pesquisa continua, mas a estrutura final do trabalho, que eu chamo de documento síntese, ficou assim:

1º Volume Sophia Jobim- pioneirismo no estudo de indumentária no Brasil
2º Volume Almanaque Sophia Jobim340 páginas
Volume “Caixa IDENTIFICAÇÃO
Livro de vestuário(Livro 01) 67p. Não identificado ainda 
Parures primitives(Livro 02)298p. Cocheris, P. Les Parures Primitives. Paris : Jouvet, 1914.
O costume- M Zamacois(Livro 03) 143p. Zamacois, M. Le costume. Paris: Flammarion, 1936.
Trajes da Igreja(Livro 04) 84p. Baseado em Norris, Herbert. Church vestments: their origin. New York:?, 1950.
Trajes regionais(Livro 05)  111p.  Não identificado ainda.
Livro caderno 97(Livro 06) 132p. “Histórico dos diferentes peças do trajes e seus acessórios”. Buscando melhor identificação.
Livro cad 105 e 107(Livro 07)  390p. Não identificado ainda
Livro cad 94 e 95(Livro 08)  274p. “Les Arts Somptuaires Histoire Du Costume Et de L’Ameublementles Arts Somptuaires Histoire Du Costume Et de L’Ameublement V1 V1: Introduction Generale (1857) Introduction Generale (1857)”
Livro traje feminino(Livro 09)  74 páginas  “O TRAJE FEMININO da época gaulesa até o fim do reinado de Louis XVI”
Livro caderno 92 e 93(Livro 10) 370p. Não identificado ainda
Moda pela imagem(Livro 11) 69 páginas La Mode par l’image. Paris: Albin Michel, 1905.
Traje brasileiro(Livro 12)  206p. Diversos trechos sobre Brasil, não é um livro só.
Saldos de balanço(Livro 13)  273p. Diversos trechos sobre tudo, quase impossível juntar.
Livro 78(Livro 14)  300 Livro de história da moda, ainda não identificado.
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