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Uma das minhas fotos favoritas da Sophia, por volta de 1925.

Maria Sophia Pinheiro Jobim nasceu em 19 de setembro de 1904, em Avaré, em São Paulo, onde fez parte de seus estudos. Ela estudou no Colégio das Freiras Marcelinas, conforme declarou à Revista Cor-De-Rosa, em 1955. Faz o curso normal, de professora secundária, na Escola Normal de Itapetininga. Continuaria depois seus estudos de aperfeiçoamento pedagógico na Inglaterra, e depois iria dedicar-se à psicologia Experimental, com ênfase na Psicologia do Adolescente, já no Rio de Janeiro.

Tinha, ainda criança, o desejo de se formar em Direito. Foi impedida inicialmente pelo pai, que disse que “ensinar faz parte da vida cotidiana da mulher. Se, depois, quisesse estudar direito, aí sim não se oporia”, contou a própria Sophia à revista Cor-De-Rosa.

Não foi este o caminho. No Rio de Janeiro frequentou a Escola Nacional de Belas Artes, onde aprendeu anatomia artística, modelagem e cópia de modelo vivo. Fazia versos, o que a levava a ser considerada boêmia pela família.

Em 19 de setembro de 1927 (dia do seu aniversário de 23 anos) casa-se com o engenheiro da Central do Brasil Waldemar Magno de Carvalho (1894-1967), com quem vai viver uma relação intensa até a morte dele. Magno de Carvalho era responsável pela compra de locomotivas e equipamento para a Central do Brasil, o que lhe garantia um excelente soldo mensal. Não tiveram filhos, o que Sophia lamentava profundamente.

                                    39 cópia  Magno de Carvalho, esposo de Sophia.

Sophia Jobim não foi mãe, mas foi muito boa “dona de casa”. Suas recepções se tornaram eventos sociais no Rio de Janeiro. Há uma curiosa combinação de capricho da dona de casa  tradicional com a artista que sabe desenhar e esculpir e a amante da gastronomia, um de seus objetos de estudo.

Sophia por muitos anos foi professora de história na Escola Normal Santos Dumont, em Palmira, Minas Gerais. Foi também professora no Instituto Orsina da Fonseca, no Rio de Janeiro e no Seminário de Arte Dramática do Teatro do Estudante, de Paschoal Carlos Magno.  Foi lá que ela conheceu Bibi Ferreira, para quem desenhou os figurinos de Senhora. Quando o Teatro do Estudante fechou as portas, os alunos convidaram-na a ministrar as aulas de usos e costumes do Conservatório Nacional de Teatro do Ministério da Educação.

Em 1932, inaugurou o Liceu Império, escola de corte e costura. Em 1946, começa a participar das atividades do Clube Soroptimista, uma associação de mulheres que deseja melhorar a condição de vida das mulheres e as suas condições locais de vida. Nesse sentido, colabora com as autoridades constituídas, como a ONU e a UNICEF, para a proteção da maternidade e à infância  e com a UNESCO, pela erradicação do analfabetismo. O Clube Soroptimista faz assistência social, promove intercâmbio cultural e artístico, cuida da defesa dos direitos da mulher e do reajustamento de mulheres desajustadas, como consta no estatuto social deles. Foi condecorada com a mais alta insígnia da associação em 1953. Em 1957, ao completar 10 anos de atividades, o Clube Soroptimista do Rio de Janeiro conferiu à Sophia um Título de Honra, testemunhando em “qualquer parte e em qualquer tempo, no mundo inteiro” o grande valor desta brasileira ilustre.

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Sra. Stela Guerra Durval, a Sra Bertha Lutz e Sophia Jobim- Homenagem do Clube Soroptimista à Sophia no seu regresso da Ilha de Ceilão, no Restaurante Mesbla, em 1955.

Em 1949 começa a dar aulas de Indumentária na Escola Nacional de Belas Artes, até que em 1956 passa a ocupar a função de professora regente.

Viajou por vários cantos do mundo e fez pesquisa em diversos museus: no Museu Carnavalet de Paris, no Museu Benaki em Atenas, no South Kensington Museum, no British Museum em Londres, no Museu Bizantino em Atenas.

Se em 1953 encontramos Sophia e o marido abatidos, doentes, tristes, vamos na sequencia acompanhar uma reviravolta na vida do casal. Ela decide –e ele apoia- montar um Museu de Indumentária na sua própria casa, enorme, com quatro andares. Ela isola um dos andares para concentrar a exposição, mas os objetos se espalham pela casa toda.

Bem relacionada, trouxe os amigos e autoridades para perto, fazendo festas temáticas. Se o tema era o Japão, por exemplo, modelos estariam vestindo os trajes e andando pela casa durante o jantar. A comida seria japonesa, haveria demonstrações da cultura japonesa e assim por diante.

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Um jantar temático- pequeno crime de conservação de trajes, mas talvez justificável pelas atenções que atraiu.

Sophia faleceu em 1968.

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  1. Fausto, quero lhe parabenizar pelo esforço de trazer o material à luz. Trabalhei no MHN em 2008 e a partir disso, fiz toda a minha graduação e o mestrado em história me dedicando à ela e em preencher e sanar as inumeras duvidas que ela nos traz.
    Parabéns

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